Você não manda em mim

Estava vendo o Fantástico… ou qualquer destes programecos de domingo à noite. Fiquei revoltada e aterrorizada com a cena da moça correndo para dentro de um posto de saúde enquanto o ex-marido corria atrás dela com uma arma. Ele deu 5 tiros na moça e saiu correndo. Ao ser preso alegou que nunca faria isso, que aquele não “era ele”.

Isso não é amor, como muita gente acha que é. Isso é sentimento de posse. Isso é machismo, isso é egoísmo. Isso é típico de gente que nunca ouviu um não na vida, que não reconhece o fim das coisas, que não sabe respeitar o outro. Se eles estavam separados, havia um motivo e ele, dependente de uma situação que ele achava ser amor, pensou que se não podia tê-la, ninguém mais teria.

Quando a gente ama, a gente quer o bem da pessoa, independente de estar com a gente ou não. Isso é sim amor, querer o bem dela, mesmo que longe da gente. E se estar longe da gente a fará feliz, nos afastemos. Mas a cultura que hoje está vigente alega que mulher só é feliz se estiver na companhia de um homem. Uma mulher que se enerve ou se irrita sempre ouvirá termos ridículos. “Mal comida, mal amada, dormiu de calça jeans, tá precisando de macho”. Quero ver alguém dizer isso para todas as mulheres que morrem nas mãos de companheiros que não sabem ouvir um não.

A sociedade ainda perpetua essa lenda ridícula de que mulher precisa de homem para viver. Querer amar e ser amado está no coração do ser humano, mas isso não é amor. Sentimento de posse, como se a mulher fosse um objeto é sinal de uma sociedade doente, perdida entre tantos simbolismos egoístas que se traduzem em violências diárias, consumismo, machismo, trans e homofobia, e que não aceita o diferente.

É por isso que se algum companheiro ou namorado resolve querer mandar em mim, eu já percebo que tem algo errado nessa história. Eu não faço isso com ele, por que diabos vai fazer comigo? Não sou sua, sou um ser humano, com desejos, vontades e com capacidade de pensar e articular minhas respostas e desejos. Eu mando em mim, você não. Então não se atreva a me considerar sua posse.

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