E tudo o que eu queria era colo

Eu sinto falta de abraços, sabe? Sinto falta daquele contato quente – pele mesmo, vinda de um abraço – com outras pessoas. Aquele abraço de saudade, de bem querer, aquele que nos acalenta, como se fôssemos crianças chorosas buscando o colinho gostoso da mãe. Sempre me peguei pensando, o que seria da sociedade se houvesse mais carinho nela. Se as pessoas se deixassem abraçar com mais frequência, se não temessem o primeiro toque de alguém.

Claro, devemos temer por nossa segurança, por nossa integridade física, pois ainda tem muita gente sacana por aí. Mas falta carinho até entre os membros da família. Mães, pais, filhos, irmãos, eles não se tocam, como se o corpo do outro estivesse inacessível, ou como se ela mesma não precisasse daquele contato que o outro ser humano pode providenciar. Não podemos nos fazer de forte o tempo todo.

 

 

Deveríamos amar o ser humano. Não é questão de amar ao próximo, aquele blábláblá bíblico que todo mundo professa e ninguém cumpre. Amar o ser humano por querer que ele esteja bem, que se desenvolva, aquele bem querer apenas pelo fato de a pessoa existir e respirar o mesmo ar que o seu. Se a sociedade privilegiasse o carinho, talvez a fossa séptica que é a cultura de hoje, achasse uma luz no fim do túnel para os problemas como depressão, ansiedade, síndrome do pânico.

As pessoas se odeiam. Infelizmente, é a verdade. Eu vejo cada coisa no dia a dia. Acontecem umas coisas comigo que me deixam com pena de mim e da pessoa que me fez sentir assim, porque ela é mais uma frustrada despejando nos outros os seus medos, ansiedades… A sociedade está tão doente. Não quero mais fazer parte disso.

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