Um beijo, uma noite e o que mudou?

Dia 31 de janeiro de 2014. A escrota e conservadora TV Globo exibe o último capítulo da novela Amor à Pica Amor à Vida. Niko e Félix, dois carismáticos personagens da trama dão um beijo esperado há meses, e no caso da comunidade LGBT uma vida inteira: ver a maior emissora do país exibir um beijo de um casal gay em horário nobre. Isso é um momento de reconhecimento, de que gays também são cidadãos e não carne de segunda como os homofóbicos insistem em colocar.

Achei a cena linda. Corri para ver a reação nas redes sociais e fiquei feliz de ver que os recalcados eram poucos. Pouquíssimos. Hoje, no Fantástico, os resultados da cena, a felicidade dos atores por terem sido os protagonistas, a torcida pelo Brasil. Também pelas redes e por ótimos portais feministas vemos relatos de pessoas que eram hostilizadas pela família por serem gays sentindo-se libertados pela cena e até momentos de aceitação por parte dos parentes. E isso é um efeito positivo e um passo gigantesco para aqueles que são oprimidos só porque não seguem o padrão heteronormativo sem noção da nossa sociedade.

Mas e o que muda na televisão agora? Será que veremos outras cenas de beijo e de maior intimidade entre casais gays em outras produções televisivas? Eu acho um pouco difícil que a coisa evolua para tal patamar depois do beijo, mas vejo que foi um passo rumo à representatividade que antes estava oculta sobre toneladas de padrões heteros. Temos sim que questionar até que ponto a televisão está apoiando à igualdade de direitos e o amor entre casais de mesmo sexo ou se é apenas marketing.

Minha mãe ficou enojada enquanto balançava a cabeça com a cena. Dizia que era um absurdo, que agora ia virar moda aquela safadeza. Uma vez, eu quis socar uma amiga dela, da mesma igreja, que disse que São Paulo estava um caos porque o prefeito “ficava com os homens dele e esquecia de governar a cidade”. Até quando as pessoas vão ter essa ideia idiota de que todo gay é promíscuo? E a promiscuidade heterossexual? O que dizer dela? É muito fácil apontar o dedo para julgar e acusar e não perceber que temos três apontando de novo para nossa cara.

Só posso torcer para que as pessoas se tornem mais tolerantes, que vejam que um beijo entre pessoas que se amam é muito mais importante do que suas orientações, sexo ou cor de pele. O beijo foi um passo, mas outros precisam ser dados.

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