Marilyn Monroe, uma diva

Eu sempre achei Marilyn Monroe um exemplo ótimo de mulher. Assim como Cleópatra, criou-se uma aura ao seu redor de sedução fatal e pouca coisa se fala delas além disso. Mas Plutarco dizia que se Cleópatra entrasse em um ambiente, ninguém notaria sua beleza, pois ela não era visível, estampada em seu rosto. Sua beleza e sua força vinham de seu intelecto, de sua excelente capacidade de administrar um reino, por ser poliglota e a única da casa de Ptolomeu que se interessou em aprender os dialetos egípcios.

Já Marilyn ficou conhecida apenas por seu corpo de curvas sensuais e por sua beleza. E, por isso, muita gente desconhece a inteligência, sua amor pela vida e suas iniciativas. Parece que, aos poucos, a internet vem trazendo esses fatos à tona e desconstruindo a visão que se tinha dela. A própria Marilyn odiava o termo “loira burra”, algo que interpretou em alguns de seus longas e sabe-se que ela era inteligentíssima, leitora ávida e dona de um QI 168. O poema abaixo é de sua autoria.

Vida –
Eu sou de ambas as suas direções
De alguma forma permanecendo de cabeça para baixo
na maior parte
mas forte como uma teia de aranha no
vento – eu existo mais com a geada fria e cintilante.
Mas os meus raios borbulhantes têm as cores que
vi nas pinturas – ah vida eles
traíram você

Marilyn Monroe

Ontem, 1º de junho, teria sido seu aniversário de 88 anos. E vendo algumas de suas fotos, percebi algo que sempre me intrigou em suas imagens. Mesmo sorrindo, maquiada, cortejada, cercada de homens, ela mantém um certo olhar de tristeza. E talvez isso seja a coisa mais incrível dela, o fato de parecer humana em todas as suas imagens, algo que temos visto pouco no mundo das celebridades. Vemos um padrão estereotipado de mulheres inalcançáveis, magras demais, belas demais, cabelo sedoso demais, enquanto Marilyn parece humana, alguém de verdade que você poderia encontrar no mercado um dia de manhã.

Essas pessoas costumam ser atemporais. Podemos olhar suas fotos daqui 50 anos que ela continuará humana e presente, como se sua aura mágica a acompanhasse, independente de seu corpo físico. Pessoas assim sofrem com os estereótipos construídos sobre sua imagem. Muitas vezes são totalmente contrários ao que elas eram de verdade. Ao contrário do que se pensa, ela não era fã de joias. Suas únicas peças reais foram dadas por seu ex-marido Joe DiMaggio, um colar de pérolas e um anel de diamantes, usado pelas mulheres nos EUA para noivados.

Marilyn foi uma das primeiras mulheres a possuir sua própria produtora de filmes, a Marilyn Monroe Productions, numa época em que o show business era controlado por homens. Adorava cozinhar e era muito boa nisso. Ela alavancou a carreira de Ella Fitzgerald quando pediu pessoalmente ao dono do Mocambo, Charlie Morrison, o maior clube noturno da costa oeste norte-americana, que a contratasse. Ela prometeu que ocuparia uma mesa de pista durante as apresentações dela, o que geraria publicidade suficiente para o clube. Ella nunca mais precisou pedir para cantar nos clubes e casas noturnas depois disso.

Marilyn Monroe 2

Talvez um dos fatos mais tristes de sua vida foi o fato de ela tentar desesperadamente ser mãe e não ter conseguido. Diziam que ela sentava na frente de parquinhos e escolas e ficava observando as crianças brincarem. Talvez fosse uma forma de receber e dar amor, diferente de sua própria infância, passada em orfanatos, pulando de um lar adotivo para outro por muito tempo. Todas as tentativas de engravidar foram frustradas e alguns diziam que ela sofria de endometriose, o que teria levado à sua overdose de analgésicos, que a levou à morte. Os mais conspiracionistas dizem que ela foi morta pelo governo por ter se envolvido com o presidente JF Kennedy.

Sua história é marcada não apenas por sua atuação no cinema, seus papéis inesquecíveis, mas por sua vida pessoal tão difícil, a dependência de álcool e analgésicos, seus três casamentos e três divórcios, suas internações em clínicas psiquiátricas. Me parece que a realidade era demais para Marilyn, pois seu mundo parecia estar à frente, como se ela não fosse uma mulher de seu tempo. E não era mesmo. Uma mulher independente para sua época era mal vista. Não que tenha mudado muito nos dias de hoje, já que independência feminina causa espanto em algumas pessoas ainda.

Assim como qualquer um de nós, ela buscava a felicidade. Buscava alterar a realidade que não podia suportar através de livros, álcool, barbitúricos, o que deteriorou sua sanidade. Tentou encontrar com cada um de seus três maridos, tentou achar na arte, na fotografia, tentou se encaixar num mundo que cobrava demais de sua imagem. O mundo pode ser cruel demais às vezes, e com ela não foi diferente. Sua busca por suprir a carência afetiva a tornou ao mesmo tempo destrutiva e linda, numa incrível amálgama humana que poucas vezes vimos. Num mundo de celebridades, onde a perfeição é uma marreta sobre a vida de atores e atrizes, Marilyn não escondeu sua fragilidade. Ela só queria ser amada de verdade, mas parecia ter medo do amor.

Marilyn Monroe 3

Também tenho medo do amor. Então, acho que consigo entender bem o que ela sentia, pois ao mesmo tempo em que quero ser amada, tenho muito medo dele e já tive meus momentos destrutivos por meio de palavras, principalmente. E magoei pessoas que me amavam. Minha mãe diz que a gente só machuca quem a gente ama, pois sabe que, apesar de todas as coisas horríveis que possamos dizer, ela sempre vai relevar e vai nos perdoar. Acredito que com Marilyn não devia ser diferente, mas talvez as pessoas a tenham abandonado, sem compreender suas necessidades.

Marilyn Monroe vive porque ainda nos lembramos de usa vida extraordinária e de seus talentos. E que continuemos a lembrar das pessoas como os seres humanos incríveis que foram.


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