Sobrenome do marido pode?

Tive recentemente uma discussão com uma amiga sobre essa questão. Adotar o sobrenome do marido quando se casasse. Feministas podem fazer isso, ela me perguntou? E eu disse que sim, claro! Eu não via problema. Mas a gente deve sim pensar sobre o assunto e decidir se quer ou não acrescentar o sobrenome. O que não devemos é aceitar que a vida é assim e pronto, acabou-se. Existe um motivo para as mulheres terem, por tanto tempo, adotado o sobrenome da família do marido.

Esse costume de fazer a mulher adotar o sobrenome nome do cônjuge é mais ou menos recente. Espalhou-se no final do século XIX nos estratos mais altos da sociedade europeia, possivelmente por influência da burguesia francesa e espalhou-se pelo século XX, em especial nos anos 30 e 40, onde tornou-se socialmente obrigatório que qualquer “mulher direita” tivesse o sobrenome do marido. Em Portugal, desde 1977 e no Brasil, desde 2012, o marido também pode adotar o nome da esposa se quiser.

Uma amiga disse que não adotaria o sobrenome do marido porque não é lancheira de macho pra carregar o nome dele por aí. E olha… eu concordo com ela, sabe? Eu vi o trabalho que a minha mãe teve com sua documentação por causa do sobrenome do meu pai. Teve problema em cartório, teve problema em banco e até com o título de eleitor. Era como se existissem duas cidadãs, mas na verdade era uma só. Eu também não me sentiria bem com o sobrenome do meu marido. Não me sentiria confortável, pois ficaria com a impressão de ser sua posse, e eu não pertenço à ninguém. Até fizeram uma piadinha comigo “ahhh, mas e se fosse Clooney ou Pitt??“. Querido, poderia ser Rockefeller, que ainda assim eu não ia querer mudar meu nome, minha documentação e até meu Lattes por causa do marido. E se ele realmente ama e respeita sua companheira, compreenderia minha opção.

Eu tive um namorado que adorava meu sobrenome e disse que, se a gente se casasse, ele adoraria adotar como dele. E eu falei que tudo bem, claro, sem problema. Aí ele emendou: “Mas meu pai me deserdaria se eu mudasse o meu sobrenome”. Pensamento machista sobre o filho vindo de um pai. Nem um pouco inusitado, não é mesmo? Imagine sobre as filhas, o quanto de merda elas não devem ouvir por conta de um sentimento de posse como esse?

mulher e flores

Acontece que minha opção é pessoal e única. Eu NUNCA diria para uma mulher que está se casando que ela não deve adotar o nome do marido, pelo motivo que seja. Mas esse ato tem que ser consciente, tem que partir dela e não pode ser uma imposição social ou “de bons costumes”. A mulher ou o homem que quiserem carregar os sobrenomes de seus companheiros devem fazer sim, por que não? E quem não quiser também tem que se respeitado, sem ser rotulado de egoísta ou egocêntrico (como já me chamaram), por não querer mudar o sobrenome.

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Um comentário sobre “Sobrenome do marido pode?

  1. Esses dias conversei com meu parceiro sobre isso. Estamos juntos há quase seis anos. Moramos juntos, dividimos cama, mesa e banho há 5 anos. Somos ”casados” até que provem o contrário. Nós somos monogâmicos. Eu gosto assim e ele também. Esses dias estávamos pensando em oficializar e tal, daí pensei: porque a gente não inventa um sobrenome nosso? Tipo, eu não quero ser apenas mais um integrante da família dele, nem faço questão de lembrar do meu sogro toda vez que escrever o meu nome. Somos uma nova união, uma nova família, a gente poderia criar um sobrenome só nosso e passar para nossos filhos. Algo que representasse a gente, nossa história, nosso amor e união. Os dois acrescentariam ao nome! Ele adorou, demos boas risadas pensando em nomes de comida, bichos, bandas rsrs Acho que o principal é isso. Os dois estarem de acordo com a decisão, seja ela qual for.

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