Hedy Lamarr, a mãe da telefonia celular

Vi hoje pelas redes sociais que 9 de novembro seria o centenário da atriz, cientista e inventora Hedy Lamarr, a responsável por você poder usar hoje um telefone celular e falar em qualquer lugar, sem estar preso à uma linha telefônica física. Hedy, no entanto, é sempre lembrada por usa inigualável beleza nas telas e que ela foi a inspiração para a Branca de Neve, de Walt Disney. 

Nascida na Áustria, em 9 de novembro de 1914, como Hedwig Eva Maria Kiesler. Em Berlim, foi considerada por Max Reinhardt como a mulher mais bela da Europa. Em 1933, Hedy estrelou o filme de Gustav Machatý, Ecstasy, um filme tcheco feito em Praga, que a deixou famosa por aparecer nua, correndo por entre as folhagens, mergulhando em um lago e simulando um ato sexual com direito a closes do orgasmo. Seu marido, milionário e ciumento, gastou uma fortuna na tentativa de readquirir e destruir cópias da película.

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Mais tarde, no mesmo ano, ela se casou com Friedrich Mandl, um vienense fabricante de armas 13 anos mais velho, com quem ficou casada por 4 anos. Hedy era controlada por ele, que a queria trancada na mansão e a levava a jantares com a elite nazista. Em sua biografia, Hedy conta que precisava escapar do marido abusivo e o convenceu a deixa´-la usar todas as suas jóias valiosas para uma festa e com a ajuda de uma empregada, elas o drogaram e Hedy escapou para os Estados Unidos, onde naturalizou-se norte-americana apenas em 10 de abril de 1953.

A inventora

O sistema que serviu de base para a tecnologias dos telefones celulares veio de Lamarr. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela criou um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar radares nazistas e o patenteou em 1940, usando o seu verdadeiro nome.

Lamarr inventou o sistema que serviu de base para os celulares. Durante a Segunda Guerra Mundial, criou um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar radares nazistas e o patenteou em 1940, usando o seu verdadeiro nome, Hedwig Eva Maria Kiesler. Ao lado do compositor George Antheil, em frente a um piano, eles tiveram a ideia de se comunicarem um com outro mudando apenas o canal de comunicação. O Departamento de Guerra norte-americano recusou a ideia em junho de 1941, mas foi patenteado em agosto de 1942 por Antheil e “Hedy Kiesler Markey”. A versão inicial consistia na troca de 88 frequências e era feito para despistar radares, mas a ideia pareceu difícil de realizar na época.

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A ideia não foi concretizada até 1962, quando passou a ser utilizada por tropas militares dos EUA em Cuba, quando a patente já tinha expirado. A empresa Sylvania adaptou a invenção. Lamarr ficou nas brumas, sem ser reconhecida até 1997, quando a Electronic Frontier Foundation deu a Lamarr um prêmio por sua contribuição. Em 1998, a “Ottawa wireless technology” desenvolveu Wi-LAN, Inc. “adquirindo 49% da patente de Lamarr”. A ideia do aparelho de frequência de Lamarr e Antheil serviu de base para a moderna tecnologia de comunicação, tal como COFDM usada em conexões de Wi-Fi e CDMA usada em telefones celulares. Apesar de ter patenteado a ideia de uma frequência que fosse variável no percurso entre emissor e receptor, não ganhou dinheiro com isto.

O que mais gosto na história de Lamarr é que ela mostra que não havia somente beleza, daquelas que enchem os olhos, mas que são proibidas de abrir a boca. Mulheres tidas como belas (beleza convencional, de cinema e revistas) são, comumente, taxadas de burras ou de efêmeras, de mulheres que só valem pela beleza. Lamarr é a responsável por nossos celulares e comunicação wi-fi e ainda assim lembram delas apenas por sua beleza e pelo trabalho em tela. Se ela não fosse a bela atriz e tivesse patenteado a ideia, ainda assim é capaz que seu nome ficasse esquecido e que apenas o nome do amigo pianista aparecesse na história.

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Mulher costuma se estereotipada e muitas vezes acusada de não ser boa em matemática, em áreas exatas e em cálculo. Bem, que dizer que Hedy Lamarr ou de Cecilia Payne-Gaposhkin, que descobriu do que as estrelas e o universo são feitos? Simples: vivemos em um mundo machista, onde as mulheres só devem ser bonitas, mas não inteligentes. E se forem inteligentes, que não apareçam muito. Sinto muito, mundo machista, mas as mulheres vão aparecer o quanto quiserem, vão ser atrizes, cientistas ou especialistas em radar o quanto quiserem. Foda-se o seu incômodo.


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