Por que mandar fotos de pau não autorizadas não é uma coisa legal?

E o chorume continua se espalhando pela internet. O causo do professor que adora tirar selfie de piroca pra mandar por aí pras mulheres pela internet continua rendendo. E tirando o fato que traumatizou muita mulher, estou gostando de ver máscaras e mais máscaras caindo de gente que tá tentando tapar o sol com a peneira para defender o amigo. Especialmente máscaras de feministas, o que é mais chocante ainda. 

Feministas famosas estão movendo mundos para distorcer o que o cara fez por anos e assim proteger o amigão, acusando as vítimas de terem agido errado. Vi feministas dando carteirada dizendo que faz doutorado nisso e naquilo outro e, portanto, podem falar com muito mais propriedade sobre o trauma e a humilhação alheia do que as próprias vítimas (sendo que uma das vítimas a procurou pedindo ajuda e ela nada fez). Mas uma das coisas que mais tá me espantando é ver gente que não vê problema nenhum, nenhunzinho em um cara mandar foto de pau pra desconhecidas, uma delas, inclusive, era menor de idade na época. Acham que é só um fetiche, uma diversão entre adultos e que a reclamação é à toa.

homem de cueca

Então, a tia feminista aqui resolveu falar com você!, sim, VOCÊ!, que não vê nadica demais em mandar selfies da sua santa pica para mulheres que você conhece, seja de vista, seja pessoalmente ou que simplesmente não conhece, apenas troca umas mensagens aqui e ali.

O pênis é e sempre foi um símbolo. Tirando a parte sexual, ele sempre foi um símbolo de poder. Está estampado de forma velada nas patentes militares, guerreiros celtas combatiam nus, muitos deles de paus duros para demonstrar força e guerreiros escoceses costumavam mostrar o seus paus em campos de batalha contra os ingleses. Na Guerra do Vietnã teve o famoso episódio das camisinhas gigantes para parecer que os americanos eram os picas das galáxias. E a exposição anual de mísseis balísticos na União Soviética foi uma forma moderna de mostrar ao ocidente quem tinha o pau maior no mundo.

Resumindo, o pau é um símbolo de poder. O que faz um cara mandar uma foto da pica dele pra uma mulher deriva do mesmo mecanismo que o faz soltar uma cantada na rua para uma desconhecida: PODER. Ele não está genuinamente interessado na mulher, ele só quer marcar território. É o poder que ele presume ser seu de direito que o faz soltar os assovios, os galanteios pouco elogiosos e por aí vai. Mandar uma foto de pinto é simplesmente dizer “olha o que você tá perdendo?, e olha só a sorte que você tem por eu estar falando com você”. Quem age assim está pouco se lixando para a mulher que está recebendo tanto a cantada quanto a foto de pica. Ele quer dizer que você tem que aceitar e acabou, dane-se seu livre arbítrio, sua auto-estima, seu consentimento.

Um cara que acha isso natural está ignorando que a outra pessoa não quer ver isso. Porque se ela quisesse ela poderia dizer “querido, me manda uma foto do seu pau?”. É também o mesmo princípio da falta de consentimento que faz um cara estuprar uma mulher bêbada. Em nenhum destes casos – a cantada de rua, a foto de pau ou o estupro de vulnerável – o cara tem consentimento para fazer o que faz. Ele simplesmente faz, pois acha que o mundo gira ao redor dele e acha que se uma mulher não gritou NÃO, não protocolou no cartório em duas vias e publicou no diário oficial, então ele tá liberado pra fazer o que quiser.

Isso se chama Sociedade Patriarcal e Misógina, uma sociedade que enxerga mulheres como objetos desprovidos de vontades. Somos ensinadas desde pequenas a termos cabelos sedosos, a não ser gordas, nem magras demais, nem velhas demais, nem falar palavrão demais, nem rir alto demais, porque uzomi pode não gostar. Somos levadas a crer que toda mulher na rua vai querer nosso macho e que devemos fazer tudo para agradá-los. Revista Nova taí que não me deixa mentir.

Então, quando um cara perde tempo pra bater uma foto da sua pica sem ser pedida, ele está se deliciando com o fato de mandar e se exibir para uma desconhecida.  Mas ele não está pensando que essa mulher não quer ver a pica dele. E pior ainda é quando um cara se aproveita de uma situação de vulnerabilidade, ou de uma situação onde ele exerce algum poder – como um professor universitário e blogueiro de muitos anos, com afinidades com o movimento feminista que é admirado e procurado por muita gente – para enviar as fotos, fazer piadas com os cornos, rir de uma mulher com a arma na cabeça e ainda por cima assediar menores de idade.

lonely

Tudo aqui girou ao redor do consentimento, essa palavra nebulosa que muito homem parece desconhecer. E esse tal professorzeco também. Aí muita gente babaca vai dizer que se uma mulher manda a foto da buceta dela pra um desconhecido sem autorização ele vai chiar. E é bem provável que não, sabe por que? Porque ele acha que se uma mulher faz isso é porque ela tá doida de vontade de sentar e rebolar sobre o pau dele. Lembra que eu comentei acima que tem homem que acha que o mundo gira ao redor dele? Então.

Teve gente que veio aqui dizer por que as mulheres que o denunciaram não bloquearam a conversa simplesmente. Não quer receber, bloqueia não é mesmo? Olhaí a culpabilização da vítima mais uma vez. E eu questiono, por que caralhos esse desgraçado não deixou o pau nas calças e tratou as mulheres com respeito? Não tentem defender o indefensável. Não tentem dar nó em pingo d’água na hora de defender militantezinho que se aproveita de sua posição pra assediar mulheres.

Duvidar das vítimas é a coisa mais escrota que alguém pode fazer. E pra quem vier falar que acusações falsas podem acabar com a vida de alguém saibam que estas falsas acusações de abuso, assédio e estupro constituem cerca de 4% das denúncias feitas. Se o ambiente para denunciar e acolher estas mulheres fosse mais seguro, mais violências seriam denunciadas, mais ações tomadas e menos chorume seríamos obrigadas a ler da parte de feministas e omis que estão tentando defender um amigo.

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