Dez espiãs da vida real que mereciam um filme

Em um mundo saturado de espionagem com James Bond, são poucos os nomes conhecidos de espiãs. E estas espiãs, compiladas pelo site io9, merecem um filme só delas, pois tiveram vidas fascinantes. Mesmo que não concordemos com suas táticas ou ações, elas precisam ser conhecidas. 

10. Marthe Cnockaert

Marthe Cnockaert não foi apenas espiã na Primeira Guerra Mundial, foi escritora de romances de espionagem. Em 1915, Cnockaert trabalhou como enfermeira em um hospital alemão de campanha, em Roulers, na Bélgica, onde sua amiga Lucelle Deldonck a recrutou como agente da Inteligência Britânica. Ela espionou militares alemães, trabalhando junto de espiãs belgas. Mas estas não eram suas únicas atividades: ela também sabotava linhas telefônicas usadas por um padre, que espionava para os alemães.

Marthe Cnockaert

Esta missão, inclusive, foi a que levou à sua captura. Andando por um abandonado sistema de esgotos, Cnockaert colocou explosivos sob um depósito de munição alemão. Infelizmente, ela perdeu seu relógio que continha suas iniciais, durante e missão. Marthe foi presa e passou dois anos na prisão em Ghent e foi solta com o fim da guerra. Ela se casou com um oficial do Exército Britânico, que escreveu sua biografia – I Was a Spy! – adaptada para os cinemas em 1933.

9. Sarah Emma Edmonds

Se acreditarmos no que diz sua biografia, Sarah Emma Edmonds foi, provavelmente, o mais próximo que o Exército da União tinha de uma mestra em disfarce durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Ela entrou na Guerra disfarçada, para começar. Sarah se alistou no Segundo Batalhão de Infantaria de Michigan vestida como homem, chamado Franklin Flint Thompson. Serviu com o General McClellan como enfermeira de campo e, segundo seus escritos, se candidatou para ser espiã pela União.

Sarah Emma Edmonds

Edmonds viajou, frequentemente, pela estradas da Confederação disfarçada – algumas vezes como um homem ou mulher negro, buscando informações e roubando papeis dos oficiais confederados. Porém, ela contraiu malária, desertou do Exército temendo que descobrissem que ela era uma mulher. Acabou servindo até o fim da guerra como enfermeira de campo, com sua identidade original.

8. Melita Norwood

Uma das agentes mais valiosas da KGB, Melita começou suas atividades em 1930 e não se aposentou até 1972, com 60 anos. Ela era britânica, mas também uma simpatizante comunista e decidiu espionar para a União Soviética por querer apoiar o novo sistema do país. Curiosamente, seu marido sabia da espionagem, mas não concordava. Trabalhando na Associação Britânica de Pesquisa de Metais Não-Ferrosos, ela passava aos soviéticos dados referentes ao programa de armas nucleares, o que teria acelerado o programa nuclear soviético.

Melita Norwood aos 87 anos.

A Inteligência Britânica ficou sabendo das atividades de Melita na Guerra Fria em 1992, depois da deserção de um arquivista da KGB, Vasili Mitrokhin, mas o caso não veio a público até 1999. A União Soviética pagou pensão por seu serviço e ela nunca foi julgada pela espionagem contra seu próprio país. Sua vida se tornou famosa e objeto de estudos, fazendo Melita ser conhecida como a “vovó espiã”.

7. Manuela Sáenz

Manuela é outra mulher com uma vida fascinante devido sua luta pela independência da América Latina do domínio espanhol. Sáenz é mais conhecida por ter sido a amante de Simón Bolívar, mas ela esteve envolvida em operações secretas mesmo antes de conhecer Bolívar. Em 1817, Sáenz se casou com um mercador inglês chamado James Thorne, em Lima, onde ajudava, secretamente, os rebeldes. Em 1819, ela esteve envolvida na conspiração que depôs José de la Serna e Hinojosa, vice-rei do Peru.

Manuela Sáenz

Bolívar se tornou conhecido como El Libertador, mas ele chamava Sáenz de A Libertadora do Libertador, porque ela o ajudou a escapar de Bogotá, em 1828, quando oficiais amotinados tentaram assassiná-lo. Depois da morte de Bolívar, em 1830, Sáenz foi exilada na Colômbia, onde acabou morrendo na pobreza e obscuridade. Mas durante sua vida, ela era uma figura ativa em muitos negócios políticos na América do Sul.

6. L’escadron volant

Não se sabe o quanto é história e o quanto é mito, mas muitos historiadores apontam que o grupo de espionagem Catherine, O Esquadrão Voador tinha como líder uma das mais nobres mulheres do século XVI, Catarina de Médici. Acredita-se, se a história é verdadeira, que Catarina recrutava belas mulheres para que seduzissem homens poderosos da corte e assim soubessem de seus segredos, que eram passados para Catarina.

Catarina de Médici

Alguns supostos membros deste grupo seriam Charlotte de Sauve, que teria espionado François, Duque de Alençon, para Catarina e Isabelle de Limeuil, que teria tido um filho de Louis, Príncipe de Condé. Segundo o historiador Mark Strage, Catarina mandou Isabelle embora da corte por ela ter falhado em manter seu caso em segredo.

5. Yoshiko Kawashima

Chinesa de nascimento, membro da Manchu, família imperial, com 8 anos ela foi adotada por um espião japonês, Naniwa Kawashima, e depois da morte de seus pais biológicos, ela foi enviada para Tóquio. Conhecida por “levada”, bissexual e muito bonita, ela foi treinada em artes marciais, tanto ocidentais quanto orientais, tornou-se uma heroína devido a seus esforços de espiã no estado controlado pelo Japão de Manchukuo, trabalhando para os japoneses. Em 1930, ela começou a pipocar nas rádios, em histórias fictícias e não-fictícias.

Yoshiko Kawashima

Um espião que se torna famoso deixa de ter serventia como espião. Desta forma, Kawashima se tornou uma crítica ferrenha das práticas do Exército Kwantung em Manchukuo. Logicamente, isso causou atritos entre Kawashima e seus empregadores e, eventualmente, ela desapareceu dos holofotes. Mas isso não encerrou sua carreira de espiã. Em 1945 ela foi capturada, em Pequim, pela Contra-Inteligência chinesa e executada como traidora pelo governo. Sua vida se tornou um filme, chamado The Last Princess of Manchuria.

4. Chevalier d’Éon

Nascida como Charles-Geneviève-Louis-Auguste-André-Timothée d’Éon de Beaumont, ela foi registrada como menino e viveu, publicamente, como homem durante 49 anos. Ela trabalhou como agente secreto do rei Luís XV, como parte de uma conspiração contra a monarquia dos Habsburgo, onde foi enviada à Rússia para conhecer a imperatriz Elizabeth. Como apenas mulheres e crianças podiam atravessar a fronteira para a Rússia naqueles tempos, d’Éon vestiu-se de mulher, chamando a si mesma de Lea de Beaumont e servido à imperatriz russa como sua dama de honra.

Chevalier d’Éon

No exílio, em Londres, rumores a respeito de seu gênero começaram a surgir e, depois da morte da Luís XV, d’Éon voltou para a França, onde exigiu que fosse reconhecida como mulher. A corte de Luís XVI concordou e reconheceu sua condição de mulher, dando à ela fundos até mesmo para comprar um guarda-roupa inteiro. D’Éon viveu sua vida como Mademoiselle La chevalière d’Éon de Beaumont.

3. Mary Bowser

Em se tratando de espiões da Guerra Civil Americana, a espiã confederada Belle Boyd costuma ser a mais conhecida, mas muitos homens e mulheres, negros na maioria, arriscaram suas vidas e liberdade espionando para a União. Mary nasceu como escrava na casa de Van Lew, em Richmond, Virginia. Sua senhora a mandou para o Norte para ser educada e depois conseguiu que ela se juntasse à uma comunidade missionária na Libéria. Bowser odiou a Libéri e retornou à Richmond, onde se casou. Depois da morte de Van Lew, em 1843, a esposa de Van Lew, um filho e uma filha liberaram todos os seus escravos, incluindo Mary.

Mary Bowser

Elizabeth “Bet” Van Lew, uma conhecida abolicionista, se tornou mundialmente famosa por conduzir uma operação de espionagem durante a Guerra Civil. Mas a melhor fonte de Bet era Mary, que trabalhava na Casa Branca dos Confederados. Por possuir memória fotográfica, ela posava como uma empregada lerda e boba para se infiltrar na casa de Jefferson Davis. Como eles assumiam que Bowser era incapaz de ler e escrever, papéis importantes eram deixados expostos para Mary que os lia, memorizava e depois repassava as informações para Bet. Algum tempo depois, começaram a suspeitar de suas ações e na fuga ela tentou incendiar a casa de Davis. Mary viveu para ver o fim da guerra e para escrever sobre sua história.

2. Nancy Wake

Nascida em Wellington, em 1912, ela se mudou para Sidney quando criança, mas fugiu de casa aos 16. Conhecida por matar um oficial da SS com um golpe de judô na garganta, Nancy trabalhou como enfermeira na Segunda Guerra Mundial, mas treinou-se como jornalista e viajou para Nova York e Londres. Quando a Segunda Guerra estourou, ela trabalhava para jornais como correspondente na Europa.

Nancy Wake

Como jornalista, ela viu os horrores nazistas em primeira mão. Em Viena ela testemunhou uma gangue nazista espancar um casal na rua. Em seguida, ela se juntou à Resistência Francesa, trabalhando como mensageira, jogando seu charme sobre oficiais da Gestapo, enquanto ajudava oficiais aliados a fugir de Marselha. Nancy tornou-se a mais procurada pela Gestapo, conhecida como o Rato Branco, por sempre escapar deles. Uma recompensa de cinco milhões de francos foi colocada pela sua captura, mas Nancy fugiu para a França, indo para a Espanha e depois para a Inglaterra.
Sua carreira militar, no entanto, estava só começando. Nancy se juntou ao SOE (Special Operations Executive), onde treinou como atiradora de elite e foi designada para trabalhar em Auvergne. Chegando de para-quedas, ela se tornou responsável pelas armas e suprimentos, tendo inclusive ido a combate, liderando ataques no estilo de guerrilha e missões de sabotagem. Em uma missão contra a SS, ela deu seu famoso golpe, matando o oficial, o que a deixou surpresa por ser a primeira fez que o usou.
Nancy se tornou uma das mulheres mais condecoradas da Segunda Guerra Mundial com o fim da guerra, mas seu custo foi bastante alto. Seu marido, Henri Edmond Fiocca, não deixou Marselha junto com ela. Ele foi capturado pela Gestapo, torturado e executado.

1. Noor Inayat Khan

Filha de um indiano muçulmano, professor de sufismo, muito pacífico e de uma americana, Khan nasceu na França, onde estudou psicologia infantil na Sorbonne e música no Conservatório de Paris. Antes da Segunda Guerra Mundial estourar, ela focou sua carreira em escrever poesias e estórias infantis. Mas quando a guerra foi declarada, Khan e seu irmão, Vilayat, decidiram ajudar a causa dos Aliados, em parte para lutar contra os nazistas, e para ajudar a criar uma ponte entre os povos ingleses e indianos. Ela se juntou à Women’s Auxiliary Air Force (WAAF) e treinada como operadora de rádio, tendo sido recrutada para o setor francês nas operações espaciais. Alguns oficiais achavam que ela era muito meiga e gentil para trabalhar como espiã, mas Khan viajou para Paris, ocupada por nazistas, onde se tornou a única espiã trabalhando na cidade depois da prisão de vários outros.

Noor Inayat Khan

No entanto, Khan foi traída e entregue aos alemães, sendo executada logo depois. Ela não revelou nenhum segredo ou informação durante seu interrogatório, mas ela copiou todas as mensagens enviadas aos ingleses em um diário pessoal, que foi descoberto pelos alemães. Assim, eles conseguiram se fazer passar por Khan em várias mensagens para Londres, o que resultou na prisão de três outros agentes ingleses.
Meiga e gentil, como diziam seus superiores, Khan se mostrou resistente na prisão, sendo considerada “extremamente perigosa”. Ela ficava algemada o tempo todo e era constantemente espancada por oficiais alemães. Junto de outros agentes da SOE, ela foi transferida para o campo de concentração de Dachau, onde foi executada.
Khan apareceu algumas vezes na mídia, incluindo uma minissérie de TV chamada A Man Called Intrepid, onde foi interpretada por Barbara Hershey.


❤ Fonte: io9

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