Burka é opressão. Se depilar também

Feministo é uma criaturinha nojenta. Vi minha prima ser atacada por um verme desses outro dia, que ainda a mandou estudar sobre feminismo. Sério, cara, bata a cabeça contra a parede antes de dizer pra uma mulher estudar algo que a afeta todos os dias, porque você não sabe do que tá falando.

Pior de tudo é ver mulher concordar com sujeitos assim. Juro, não dá pra entender. Não sei se é parte de uma aceitação, de querer incluir homens no rolê, se é pra parecer “menos radical”. Não entendo. Os homens apoiadores do feminismo que conheço não ficam exigindo biscoito nem me mandam estudar, então, AMIGA, cuidado com esses tipinhos.

Dito isso, reafirmo o que disse acima. Usar burka é uma opressão, assim como se depilar. “AHHHHHH, MAS PERA LÁ, ELAS ESCOLHEM USAR POR CAUSA DA RELIGIÃO E ISSO NÃO PODE SER QUESTIONADO”. Fera, pode e deve ser questionado. As religiões monoteístas são patriarcais. Deus é mostrado de forma masculina, os profetas são todos homens, as mulheres sempre estão relegadas à uma posição de apoio, coadjuvantes, isso quando não são acusadas ferozmente da queda da raça humana e de pecadoras infiéis.

Não vem me dizer que cobrir o corpo inteiro de uma mulher é um sinal de ligação com deus quando os homens não estão cobertos. Não é porque algo é aceito socialmente, que é livre de suas críticas e opressões. É notável reparar que são as MULHERES que precisam cobrir o corpo, a cabeça, os cabelos, às vezes os olhos. É notável que em certas igrejas evangélicas elas sejam obrigadas a usar saias, cobrir a cabeça e não cortar os cabelos. Em algumas igrejas nem ao púlpito pregar elas podem, porque afinal de contas “deus não revelou isso ainda”.

Ora, meu filho, me poupe! Não é porque algo existe há milhares de anos que deixa de ser uma marca de opressão. O próprio Alcorão não diz como se deve cobrir o corpo, diz apenas que a mulher deve se vestir de forma respeitosa e comedida. Note que nos países muçulmanos, as vestimentas são muito diferentes entre si, de acordo com a interpretação do Alcorão e com os costumes. Na Turquia, as mulheres não cobrem a cabeça. No Irã, elas usam lenços, mas podem deixar as pontas do cabelo de fora. No Afeganistão, se usava a burca por imposição do Talibã e na Arábia Saudita apenas os olhos ficam de fora. Cada lugar deu sua própria definição de como cobrir o corpo da mulher.

Mulheres de burca

SIM, elas estão usando porque querem, por ser um compromisso com Alá, uma forma de mostrar devoção e respeito, mas isso não quer dizer que tá isento de crítica. Eu depilo minhas pernas, mesmo criticando a indústria cruel da beleza que nos mutila todos os dias. Não consigo usar uma bermuda, nem um shorts, se a perna não estiver depilada, nem consigo usar meu cabelo sem um alisamento ou escova que seja. Tudo isso também é uma imposição cultural que eu abraço para me sentir bem comigo mesma, mesmo sabendo que isso também me aprisiona, porque num dia de calor, eu ponho calça e tênis por não estar com as pernas depiladas.

Percebe a opressão arraigada em gestos que são de nossa escolha? Quantas mulheres, por pressão dos parceiros, muitos deles feministos, quiseram embarcar em relação aberta, poliamorista ou então pressionou a namorada/esposa a fazer sexo a três sob a falsa premissa da “liberdade sexual”? Quantas mulheres caíram de cabeça na “liberação feminina” e fizeram sexo anal sem querer, engoliram esperma sem curtir, tomaram tapas sem querer de verdade? Tudo sob a falsa “liberdade”, a falsa premissa de se libertar das relações monogâmicas opressoras. Uma relação dessas, disfarçada de algo que se quer muito, disfarçada de liberação, é sim uma opressão.

Então, antes de disparar merda como se fosse uma metralhadora, pense nas coisas que você também faz por uma imposição, mas que hoje estão mascaradas de DECISÃO PESSOAL. Nem tô mandando você parar nem nada, quero apenas que pense o quanto as coisas que fazemos são medidas para nos aprisionar. Você vai ver que nem tudo que reflete é ouro e que nem tudo que é livre está isento de amarras.

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